domingo, 11 de maio de 2008

SUPERBOLO DE CHOCOLATE


Tempo: 1 hora e 15 minutos, além de umas 2 horas para esfriar)

INGREDIENTES:

4 xícaras de chá de farinha de trigo
1 colher de sopa de fermento químico
½ xícara de chá de chocolate em pó
¼ colher de chá de sal
2 xícaras de chá de açúcar
1 colher de chá de canela em pó
½ xícara de chá de óleo
150g de manteiga derretida em temperatura ambiente
1 e ½ xícara de chá de leite
4 ovos
1 colher de sopa de essência de baunilha
1 colher de sopa de suco de limão
200g de chocolate meio amargo em cubinhos miúdos manteiga para untar e farinha para polvilhar
para a calda 200g de chocolate meio-amargo em pedacinhos 3/4 de xícara de chá de água 1/2 xícara de chá de açúcar
1/4 de xícara de chá de glicose de milho (Karo) ou mel
1/2 xícara de chá de chocolate em pó

MODO DE FAZER:
  1. Aqueça o forno a 180ºC (médio) e unte com manteiga e polvilhe com farinha 1 fôrma média com buraco no centro.
  2. Numa tigela grande, misture bem a farinha, o fermento, o chocolate em pó, o sal, o açúcar e a canela. Acrescente o óleo, a manteiga, o leite, os ovos, a baunilha e o limão e, para deixar o bolo mais leve, misture apenas o suficiente para juntar os ingredientes.
  3. Adicione os cubinhos de chocolate, coloque a massa na fôrma e asse por uns 45 minutos, até que o bolo esteja crescido, firme e com as bordas se soltando das laterais (enfiando um palito no centro, ele deverá sair limpo).
  4. Retire do forno, aguarde 15 minutos, desenforme sobre um prato raso e deixe amornar.
  5. Enquanto isso, para a calda, coloque os pedacinhos do chocolate numa tigela e reserve.
  6. Aqueça a água, o açúcar e a glicose numa panelinha, mexa até dissolver, deixe ferver por 1 minuto, junte o chocolate em pó, espere começar a borbulhar, despeje sobre os pedacinhos de chocolate e mexa até derreter.
  7. Retire a calda do fogo, deixe amornar por 30 minutos e regue o bolo (se quiser, passe para uma tigelinha e guarde na geladeira por até 2 dias, aqueça em banho-maria e sirva com sorvete).

SEMIFREDO COM CALDA DE DAMASCO

Tempo:1 hora e 30 minutos, além de umas 3 horas no freezer

INGREDIENTES:
CROCANTE

1/2 xícara de chá de água
2 xícaras de chá de açúcar
2 xícaras de chá de amêndoa grosseiramente moída manteiga para untar

CREME:

3 xícaras de chá uma mistura de damasco seco e uva passa clara
1/4 de xícara de chá de licor de laranja
1 litro de creme de leite fresco bem gelado
1 xícara de chá de água
3 xícaras de chá de açúcar
8 claras para a calda de damasco
250g de damasco
3 xícaras de chá de água

MODO DE FAZER:

  1. Para o crocante, unte com manteiga a lâmina de uma espátula e uma superfície de mármore de uns 40 cm x 40 cm ou separe um tapete de silicone.
  2. Aqueça a água e o açúcar numa panela média, misture para dissolver e deixe no fogo até chegar a um caramelo bem dourado (se muito claro, ficará muito doce e não terá sabor de caramelo e se muito escuro, ficará amargo).
  3. Quando começar a subir uma fumacinha esbranquiçada, retire imediatamente a panela do fogo, junte a amêndoa e com cuidado, pois é muito quente, despeje o crocante no mármore ou no tapete de silicone e espalhe com a espátula.
  4. Espere amornar e bata no processador até virar um pó com pedacinhos dourados. Para o creme, pique bem miudinho o damasco, a uva passa e a cereja, coloque numa tigela com o licor e aguarde 15 minutos.
  5. Enquanto isso, bata o creme de leite com a batedeira até encorpar e não cair das pás (páre imediatamente de bater para não virar manteiga), depois leve à geladeira. Forre com filme plástico uma fôrma grande de bolo inglês, de uns 40 cm de comprimento.
  6. Aqueça a água e o açúcar, misture até dissolver e deixe ferver por 5 minutos. Enquanto isso, bata a clara em neve e em picos bem firmes, retire a calda do fogo e despeje aos pouquinhos sobre a clara, continuando a bater até esfriar e obter um merengue firme.
  7. Com delicadeza, incorpore o crocante, as frutas com o licor e o creme batido ao merengue, coloque na fôrma, alise e leve ao freezer por umas 3 horas ou até por 1 semana, depois desenforme sobre um prato. Para a calda, aqueça o damasco e a água numa panela média e mantenha em fogo baixo por uns 15 minutos, até que esteja bem macio.
  8. Retire do fogo, bata no liquidificador até obter um creme liso e guarde por até 3 dias na geladeira.

BOLO DE BATATA COM ERVAS

Tempo: 1 hora e 15 minutos

INGREDIENTES:

2 kg de batata média, com casca e bem lavada
100g de manteiga em temperatura ambiente
1 cebola grande em cubinhos
1 e ½ xícara de uma mistura de folhas de salsinha, cebolinha francesa e manjericão
6 ovos inteiros
1 xícara de queijo parmesão ralado manteiga para untar sal e pimenta-do-reino

MODO DE FAZER:

  1. Cozinhe a batata numa panela com água fria por uns 40 minutos até que esteja macia.
  2. Derreta metade da manteiga numa frigideira pequena, doure ligeiramente a cebola e coloque numa tigela.
  3. Reserve algumas folhas inteiras da ervas e pique as demais. Aqueça o forno a 180ºC (médio), unte uma fôrma grande com bastante manteiga e no fundo espalhe as folhas das ervas.
  4. Escorra, descasque e esprema as batatas ainda quentes, coloque na tigela da cebola, junte a manteiga restante, os ovos, o parmesão, as ervas picadas, sal e pimenta, espalhe na fôrma e asse por uns 45 minutos, até dourar. Espere 5 minutos, desenforme e sirva.

PERNIL AO FORNO COM AZEITE E ERVAS E AQUELA FAROFA

Tempo:8 horas, além de pelo menos 6 horas de marinada

INGREDIENTES:
PERNIL
1 pernil suíno grande já bem limpo (cerca de 8 kg)
1 maço grande de manjericão
1 maço pequeno de sálvia
1 maço pequeno de tomilho
1 maço pequeno de alecrim
1 litro de vinho branco
2 colheres de sopa de uma mistura de pimenta-do-reino preta e branca e pimenta-rosa
8 dentes de alho 4 sem casca 4 inteiros e com casca azeite de oliva sal e pimenta-do-reino

FAROFA:
100g de manteiga (ou 50g de manteiga e ½ xícara de chá da gordura da assadeira de um assado)
100g de bacon em cubinhos
1 cebola grande em cubinhos
1 dente de alho picadinhos
1 cenoura ralada
2 bananas maduras em rodelas de 1 cm
1 xícara de chá de azeitona verde em lascas
1 xícara de chá de ameixa seca picadinha
1 xícara de chá milho verde em conserva
4 xícaras de chá de farinha de mandioca crua
1 xícara de chá de salsinha e cebolinha picadinhas
2 ovos cozidos picadinhos sal

MODO DE FAZER:
  1. Na véspera, ou pelo menos com umas 8 horas de antecedência, regue com um pouco de azeite uma assadeira de fundo grosso e grande o bastante para acomodar bem o pernil.
  2. Soque as pimentas no pilão com 4 dentes de alho, 1 colher de sopa de sal e espalhe sobre o pernil.
  3. Abra os maços das ervas para separar os ramos e, segurando o pernil pelo osso e pensando em montar um bouquet, forre o pernil em toda a volta com uma camada bem farta de ervas, depois amarre com barbante para firmar (só fica descoberta a parte de cima do pernil).
  4. Coloque o pernil e os dentes de alho restantes na assadeira, regue com um pouco de azeite, o vinho, cubra com papel-alumínio e leve à geladeira.
  5. Passado o tempo, retire o pernil da geladeira e aqueça o forno a 200ºC (médio-alto) por 15 minutos.
  6. Leve o pernil coberto com o papel alumínio ao forno por umas 7 horas, retire o papel e volte ao forno por mais uns 30 minutos para dourar (a carne deverá estar muito macia, se desmanchando e se soltando dos ossos; para testar, enfie a lâmina de uma faca na parte mais profunda da carne, conte até 10, retire e verifique se a lâmina está bem quente e se os sucos da carne sobem bem clarinhos).
  7. Transfira o pernil para a travessa de servir e cuide do molho: com uma concha, descarte o excesso de gordura da assadeira, mexa com uma colher de pau para soltar o que estiver colado ao fundo, então passe o molho por uma peneira, pressionando bem, coloque numa panelinha, leve ao fogo, deixe ferver, acerte o sal e a pimenta e, se for preciso, ajuste a acidez com um pouco de açúcar. Para a farofa, aqueça a manteiga e o bacon numa panela grande, espere começar a dourar, junte a cebola e a cenoura.
  8. Deixe murchar e dourar um pouquinho, acrescente o alho, espere perfumar, adicione a banana, a azeitona, a ameixa e o milho.
  9. Deixe aquecer, junte a farinha, a salsinha, o ovo e misture até umedecer. Ajuste o sal e sirva ao lado do pernil.

SALADA MIX DEFOLHAS, PINOLI E MOLHINHO DE FRAMBOESA

TEMPO: 30 minutos

INGREDIENTES:

18 xícaras de chá de folhas variadas
2 xícaras de chá de framboesa fresca ou congelada
2/3 de xícara de chá de azeite de olivaa
¼ de xícara de chá de pinoli
sal, açúcar e pimenta-do-reino

MODO DE FAZER:
  1. Separe as folhas, rasgue com as mãos em pedaços do tamanho de uma mordida e coloque numa saladeira.
  2. Com até 12 horas de antecedência, bata no liquidificador a framboesa e o azeite até obter um molho homogêneo, passe para uma tigela, tempero com sal, pimenta e, se necessário, ajuste a acidez com pitadas de açúcar se necessário.
  3. Doure ligeiramente os pinoli numa frigideira seca e espalhe sobre as folhas. Na hora de servir, regue as folhas com o molho e misture.

PARA O DIA DAS MÃES

Eu adoro a minha mãe! Como ela é o máximo e merece tudo de bom - e ainda mais um pouco – eu tento demonstrar tudo isso nos 365 dias do ano. Como mãe, também não posso reclamar, pois as minhas filhas são super carinhosas e procuram fazer de tudo para me agradar no dia-a-dia. Por isso, como mãe ou como filha, eu sinceramente nunca dei muita bola para um dia especial para as mães. Mas já que inventaram esse dia, e mãe que se preza é bem “galinha com os pintinhos”, adora estar com a família inteira em volta, nada como preparar alguma coisa gostosa em casa e reunir a família toda ao redor da mesa. Para não deixar a “mãe” homenageada ainda mais atarefada, pensei num almoço com receitas gostosas, que fossem charmosas, mas nem um pouco complicadas. A idéia é preparar tudo com antecedência para, na hora do almoço, não precisar ficar o tempo todo na cozinha. É claro que sempre será preciso aquecer e finalizar os pratos, mas haverá tempo de sobra para conviver. Também procurei escolher as pratos que costumam agradar crianças e adultos e que só precisam do arroz branco e do café para completar a refeição. Ainda para facilitar a vida, dimensionei as receitas para umas 12 pessoas, um número bem com jeito de “família”. A saladeira fica linda com a Salada mix de folhas, pinoli e molhinho de framboesa. Como, hoje em dia, há folhas bem lisas, crespas e crespíssimas, miudinhas e largas, do verde claro ao roxo intenso, de sabor suave ao picante e de texturas bem variadas, a salada em si já é uma festa. Os pinolizinhos dão um ligeiro crocante e o molho deixa a salada um pouquinho adocicada (na véspera, lave e seque bem as folhas, espalhe numa assadeira forrada com papel absorvente, cubra também com papel e guarde na geladeira; doure os pinoli e guarde num potinho bem fechado; prepare e guarde o molho na geladeira). O prato principal é um Pernil ao forno com azeite e ervas e aquela farofa, que enfeita qualquer mesa. Escolhi o pernil porque a carne é macia, saborosa e fica deliciosa com o perfume das ervas (e se a família for pequena, procure um pernil menor, de uns 3 kg), e a farofa cheia de coisas com jeito de festa porque quase todo mundo gosta de uma boa farofa (prepare o pernil e a farofa na véspera e aqueça o pernil no forno). Também para acompanhar, pensei no Bolo de batata e ervas, pois batata sempre agrada e vai bem com o molhinho do pernil (preparado com umas 6 horas de antecedência e aquecido no forno). Como a hora da sobremesa é sempre muito esperada pelas crianças e pelos adultos, achei interessante levar à mesa alguma coisa gelada, como um sorvete, e um bolo. A gelada é o Semifreddo com calda de damasco, que pode ser feito com até 1 semana de antecedência, uma mistura de merengue, creme de leite batido, frutas cristalizadas e amêndoa moída caramelizada que é irresistível. E o Superbolo de chocolate é tão bom e fácil de fazer que talvez já seja melhor preparar uns dois de uma vez (faça o bolo na véspera). Bom almoço!

terça-feira, 1 de abril de 2008

COELHINHO DA PÁSCOA, QUE TRAZES PRÁ MIM,



Acho que toda criança já cantou e sonhou com aquele coelho bem lindo e macio que trás coisas gostosas. Na verdade, hoje em dia, por aqui, nos Estados Unidos e na Europa, o coelho costuma deixar ovos de chocolate para as crianças, mas nem sempre são só ovos, na França elas também vão atrás de peixes e galinhas de chocolate.
Como, em Paris, quase todo mundo mora em apartamento, o coelhinho esconde tudo nos parques e, quando tocam os sinos, as crianças saem correndo para procurar. Eu me lembro perfeitamente do domingo de Páscoa do ano que passei em Paris, com a Bebel, que tinha uns 4 anos, correndo no Champ de Mars num dia tão lindo e azul de começo de primavera para achar os seus chocolates. Eu costumo passar a Páscoa na fazenda, sempre com muitas crianças ainda pequenas e é uma festa. Na noite do sábado, cada uma delas leva um desenho e uma cenoura para um canto do jardim pensando em deixar o coelho bem feliz, aí ele aparece, esconde tudo e, logo cedo, antes do sol esquentar, elas saem procurando e, super felizes, encontram tudo bem rapidinho e, em pouco tempo, a casa tem chocolate por todo lado.Chocolate é mesmo bom demais, é aquele cheirinho delicioso, o gostinho adocicado, um cremoso que derrete na boca e que, de tão bom, parece que consegue até afastar a tristeza e deixar todo mundo mais feliz. Acho que, por isso tudo, é muito difícil achar quem não goste de, pelo menos de vez em quando, dar umas mordidinhas num tablete de chocolate ao leite, meio amargo ou branco na hora em que bate aquela fome de alguma coisa docinha e a Páscoa é a ocasião perfeita para isso. A variedade de chocolates e de coisas feitas com chocolate hoje é enorme, mas nem sempre foi assim. Antes da descoberta das Américas, há pouco mais de 500 anos, os europeus nem sabiam que ele existia, mas os maias e os astecas já usavam o chocolate em bebidas apimentadas, que não levavam nem um pouquinho de açúcar. Os espanhóis experimentaram essa bebida esquisita, acharam interessante e decidiram levar esse ingrediente diferente para a Europa. Um tempo depois, decidiram juntar um pouco de açúcar à bebida de chocolate e gostaram. A partir daí, foram inventando receitas e mais receitas com esse ingrediente incrível, até chegarem aos bolos, biscoitos, pudins, bombons, caramelos, sorvetes e tudo o mais que a gente conhece hoje em dia (ainda bem que isso aconteceu!). Ainda na primeira metade do século XIX, já faz um bom tempo, alguém, pensando na tradição de dar ovos na Páscoa, teve a brilhante idéia de fazer ovos de chocolate. E esses ovos sempre vieram enfeitados com fitas e papéis coloridos e, como são ocos, ainda trazendo uma surpresa dentro. O domingo de Páscoa é um dia de muita alegria pela ressurreição de Cristo, de celebrar a vida. É o dia do renascer depois dos quarenta dias da quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas, é um período de muita tristeza, seriedade, resguardo e sacrifício. E o ovo significa tudo isso, e por isso é tão importante, simboliza essa vida nova, a fertilidade, o amor e a esperança. Como, durante a quaresma, não se podia comer o ovo, as pessoas antigamente costumavam levar ovos à igreja no sábado de Aleluia para que fossem abençoados e serviam no dia seguinte, o domingo de Páscoa. Mas a tradição de dar ovos de verdade nessa época do ano, que no hemisfério norte é o início da primavera, já aparecia na China há mais de 3 mil anos, era sinal de boa sorte, de vida nova e eterna (eles cozinhavam os ovos no chá ou na água com casca de cebola para tingir as cascas). Na Europa, esse presentear com ovos cozidos coloridos passou a fazer parte das tradições pagãs para celebrar a chegada da primavera, o florescer, a fartura de alimentos que vinha com ela depois de um inverno rigoroso. E, com o cristianismo, o presentear com ovos passou a ter outros significados. Colorir ovos de verdade para servir simplesmente cozidos no almoço do domingo de Páscoa pode virar uma brincadeira bem divertida com as crianças. Já fiz isso com as minhas filhas e elas adoraram: com um giz de cera branco, faça desenhos miúdos na casca de vários ovos brancos, depois mergulhe os ovos em panelinhas com água já tingidas com anilina apropriada para fins alimentícios e de várias cores diferentes, cozinhe por uns 13 minutos contados da fervura, depois escorra e coloque os ovos coloridos num prato e leve à mesa (os desenhos aparecem porque a anilina não colore as linhas riscadas com o giz de cera). Chega, então, a hora de ir para a cozinha preparar um almoço de Páscoa para a família e os amigos. Principalmente na Europa, muita gente, ainda que hoje em dia sem pensar no significado, serve no almoço de Páscoa os três alimentos básicos da Santa Ceia, o cordeiro, que significa a inocência e sempre representou sacrifícios, o pão e o vinho. Na Toscana, por exemplo, não há almoço de Páscoa sem assado de cabrito ou de cordeiro, na imensa maioria das vezes com alecrim, alho, azeite e vinho. Quando o prato principal não é um cordeiro, é um bacalhau. Mas o bacalhau não tem a ver não só com o domingo de Páscoa, mas com a quaresma inteira e principalmente com o almoço da sexta-feira da Paixão, já que, por séculos e séculos, com a restrição de comer carnes e ovos, o peixe era a única carne permitida nesse período de sacrifícios e ele era um peixe bom, barato e que, por ser seco e salgado, era de conservação muito fácil. Além do mais, o bacalhau é super versátil, vai bem com quase tudo e pode ser preparado de mil jeitos diferentes. Pode ser assado, cozido, frito, ensopado, simplesmente dourado no azeite para comer com arroz, verduras ou legumes, batata, uma polenta ou até mesmo com uma fatia de pão. Hoje em dia, o mundo está bem diferente, quase ninguém mais faz esses sacrifícios na quaresma inteira e, ainda que fizesse, não seria complicado achar peixes frescos, verduras e legumes e conservar na geladeira, mas antigamente tudo era mais difícil. E, para complicar ainda mais, na Europa, a quaresma ainda coincidia com o final do inverno, um tempo de escassez mesmo, de despensas quase vazias e falta total de alimentos frescos. Pães com uma massa bem rica em ovos também são bem tradicionais tanto em Portugal, como na Itália. Às vezes o pão é simples, só a massa e pronto, às vezes vem recheado de bacalhau refogado com cebolas, lingüiça ou ricota. Muitas vezes o pão é moldado em formatos diferentes, como corações, tranças, bonecas, galinhas e galos, pombas, por cima ainda leva alguns ovos cozidos inteiros, com casca e tudo, algumas vezes tingida de colorido, e vira um presente para as pessoas queridas. . Para adoçar, a tradição pede uma boa torta de ricota com pedacinhos de laranja cristalizada (ou uma pastiera di grano, que é uma torta com um recheio de ricota enriquecido com grãos de trigo, que, antigamente, homenageavam Demétrio, que simbolizava fertilidade e fartura nas colheitas), um biscotti (uns biscoito bem sequinho com frutas secas) para servir com uma taça de vin santo. Com ricota, na Itália também existem várias versões de tortas salgadas pasqualinas, algumas levando espinafre, queijo e outras verduras. A Colomba, um pão doce que veio da Lombardia, com uma massa bem parecida com a do panetone, tem o formato de uma pomba que, nos tempos das festas pagãs, simbolizava a chegada da primavera e, com o cristianismo, passou a representar o Espírito Santo. E, na Sicília, eles preparam uns carneirinhos lindos de marzipã recheado com uma geléia de limão. Enfim, é difícil ter uma outra festa tão cheia de simbolismos e gostosa. Imaginando que o coelhinho pode aparecer na cozinha a qualquer hora e vai adorar encontrar alguma coisa bem gostosa, preparei a Sopa de cenoura com laranja e especiarias, que mistura o cremoso e ligeiramente adocicado da cenoura, com o azedinho da laranja e o perfume das especiarias, e vai bem tanto numa noite mais quente, como numa mais fresquinha, e tanto numa porção maior, num prato fundo, como num potinho pequeno como uma entradinha. De Portugal eu trouxe um Folar de Páscoa, um pão realmente lindo que, por lá, é um presente de Páscoa e é de dar água na boca, com uma massa bem macia pelos ovos e com aquele saborzinho especial do azeite, e que, muitas vezes, também aparece recheado com bacalhau ou lingüiça refogados com cebolas. Escolhi 3 receitas para prato principal: a primeira delas um Bacalhau à Brás, um clássico bem simples, fácil de fazer, que não custa muito, já que dá para usar um bacalhau em lascas, e sempre agrada; a segunda é um Pernil de cordeiro ao forno, assado bem devagar com vinho, azeite e muitas ervas até ficar muito macio, com a carne se separando e se desmanchando; e a terceira é um Filé-mignon recheado com presunto cru, shiitake e ervas, que sempre impressiona e não é difícil de preparar. Fiquei pensando, pensando na hora da sobremesa e acabei decidindo por 2 receitas geladas usando chocolate, já que quase todo mundo adora e tem tudo a ver com Páscoa, o Fondant de chocolate, que fica delicioso, muito macio e cremoso, mas é um pouco mais consistente que uma mousse, já que dá para desenformar e cortar em fatias (usei chocolate meio-amargo, mas se quiser troque por chocolate ao leite); e o Gelado de três chocolates, que, na verdade, é quase um sorvete, fica gostoso pela mistura dos chocolates meio-amargo, ao leite e branco, e ainda fica lindo num pote de vidro transparente. A terceira sobremesa é uma super clássica e tradicional Torta de ricota, servida na Páscoa em quase toda cada italiana e que vai muito bem com um cálice de vin santo. Pensando não só no domingo de Páscoa, mas nos dias todos do feriado, quando a maioria das pessoas está viajando e descansando e, portanto, vive querendo beliscar coisas gostosas desde a hora do café-da-manhã até bem tarde da noite, eu escolhi 4 receitas: o Muffin de cenoura, que ficou bem gostoso e diferente com a massa que leva aveia e mel; o Coelhinho de pão de mel, que ficou lindinho, bem saboroso e úmido; a Colomba pascal, que é bem tradicional, não é difícil de preparar e fica com aquele gostinho de feito em casa, bem diferente das industrializadas; e os Biscoitinhos de baunilha e chocolate, bem crocantes, saborosos e que permitem mil e uma invencionices, pois dá para cortar tanto a massa clara, como a escura, com cortadores no formato de ovo ou de coelhinho (eu cortei coelhinhos brancos e escuros e, nos brancos, coloque uma bolinha escura no lugar do olhinho e, nos escuros fiz o contrário), ou também brincar de mesclar as duas massas para moldar biscoitos de duas cores fazendo xadrês, espirais e listras.